quinta-feira, 13 de outubro de 2011

METEMPSICOSE

     O ano era 1960...aos dezoito anos já começava eu com minhas idéias de outras vidas, de metempsicose, metamorfose e outras coisas surreais e abstratas que, às vezes, viravam poesia. Este poema foi dedicado a uma de minhas primeiras namoradas. "Virei" um beduíno perdido no meio de um deserto e fiz dela uma fonte cristalina num oásis paradisíaco. Ficou assim               






                                                       METEMPSICOSE


Eu era o viajante que de bruços caía
Pra sorver a frescura da água cristalina
Da fonte, no meio do oásis verdejante
Entre as areias escaldantes
Do deserto...

Sempre fomos assim,
Tu e eu
Eu era todo o beduíno que vagava
Tu eras todo o oásis, toda a fonte...

Eu te sorvia, outrora, a goles
Como agora, beijo a beijo
Para depois voltar a me perder sedento
Voltar a me cansar, sofrendo
Pelo ardente, infinito, tristonho deserto
Da saudade...