"Poetas e sofrimentos vivem juntos como papel e caneta, como rosas e espinhos. Um completa o outro, como noite e Lua, o amor e a saudade.
POBRE POETA
Não poderia, quem sabe, a própria Lua
Iluminar a noite mais escura
Em que se transformou, tão nua e crua,
A minha vida de dor e de loucura
E fui seguindo numa vã procura
(E é aí que meu erro se situa),
A vida toda na cruel agrura
Que me entristece e que me amua
É muito triste a minha dor antiga
Por mais que tente esconder e diga
Ser feliz, aconselho não acreditar.
Pobre poeta, a dor que me castiga
É o mesmo sentimento que me instiga
Ao trabalho indispensável de sonhar

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